26/08/2008
Fonte: Newwws
Por Marcos Bin
Ainda que todos estivessem na ativa, dificilmente Beatles, Mariah Carey, Charlie Brown Jr. e New Kids on the Block participariam de um mesmo festival de música, ao menos cantando juntos. Mas esses artistas e bandas de estilos tão diferentes têm um ponto em comum: a abertura do novo site da agência santista Mkt Virtual.
As letras de música – com versos que ilustram a filosofia ou o trabalho da empresa – são apenas um de vários insights divertidos, que incluem ainda um gato-relógio vesgo e um borrifador de água que solta bolinhas de sabão. Tudo em harmonia com um conteúdo sério, o portfólio da agência, um dos mais criativos do Brasil.
O novo site da Mkt Virtual segue a tendência de otimização do Flash, já demonstrada em trabalhos anteriores, mas vai um pouco além, ao integrar arquivos SWF com técnicas de SEO (Search Engine Optimization). O segredo está no uso do WordPress como CMS, o que resultou em um site de conteúdo dinâmico, como um blog – com direito a tags, para facilitar a busca – enriquecido visualmente por uma interface em Flash.
Na entrevista abaixo, Ludmilla Rossi, diretora da Mkt Virtual, dá todos os detalhes do projeto e fala sobre as melhores práticas no uso do software da Adobe.
Em um release, vocês afirmam que a Mkt Virtual criou o site como se fosse para um cliente. Fale mais sobre esse processo de criação – quanto tempo levou, que idéias foram seguidas, quantas pessoas se envolveram etc.
Fomos tão exigentes como um cliente. Levantamos nova redação, printamos todos os projetos, arquitetamos, pedimos e cobramos prazo, pedimos ajustes, colocamos o bedelho, enfim… A equipe comercial e o planejamento determinaram necessidades estratégicas, e o pessoal de design e Flash pontuou o que esperava do novo site da Mkt Virtual. No total, 3 pessoas colocaram a mão na massa em design, Flash e PHP, e uma outra equipe cuidou das definições estratégicas e de conteúdo. O cronograma, com alguns outros jobs intercalados para esse núcleo, foi de 3 meses.
Qual é o conceito visual do site? Parece haver um pouco de cultura hippie, psicodelismo, tropicalismo, Beatles… É isso mesmo?
Sim, tem de tudo um pouco ali. Músicas inspiraram muito o site, mas ele não tem um tema definido. Tem somente coisas e cores que gostamos, referências e influências a piadas descompromissadas. O relógio do gato “birolho” é um exemplo disso; ele foi inspirado no meu gato, que tem um olhinho torto e foi adotado pela internet. O passarinho foi inspirado em uma letra dos Carpenters. E por aí vai… A idéia é mostrar diversidade visual sem deixar que isso atrapalhe o principal, que é nosso portfólio.
Sites em Flash, geralmente, permitem uma liberdade maior de criação. Existe na Mkt algum tipo de incentivo ou estímulo à criatividade, como atividades externas e cursos?
Existe sim, mas como diretora da empresa, sempre fico me chibatando e pensando que deveria haver muito mais. Como empreendedores, temos muitas idéias e vontade de colocar em prática para os colaboradores todas as expectativas e vantagens de uma empresa web dos sonhos. Mas tudo precisa ser devagar e sempre, então há alguns pesos e medidas. Este mês, por exemplo, quase toda a equipe de produção vai ao Fórum Internacional de Design e Tecnologia Digital, o FIND, com uma parte do valor bancada pela Mkt Virtual. Outra coisa que a gente sempre faz ter tempo – mesmo que ele não exista – é promover a troca de conhecimentos entre a própria equipe, através de workshops. Dessa forma, o pessoal passa a criar linhas de estudo e desenvolve um trabalho mais criativo e integrado. Além disso, há cursos extras, verba para livros e outras ações. Fazer brainstorm na praia vale como estímulo também? Taí, esse é um deles. (risos)
O novo site da Mkt tem muita “brincadeira”, mas também tem seriedade, e as duas coisas caminham em harmonia. Como vocês definem o limite entre essas características? Existe, realmente, um limite para a criatividade?
Não sei se existe, mas para mim a criatividade não é só um baita insight, e sim muita transpiração. E no caso desse site transpiramos bastante, tivemos que passar muito tempo em cima de questões conceituais, do tipo “O que queremos mostrar para o mercado? De onde viemos? O que os clientes e prospects vão interpretar se formos por esse caminho?” Não somos megadescolados, mas também não somos cheios de conceitos clean e corporativos. Algumas empresas do nosso segmento que admiramos acabam optando por ter um site mega-clean-chique e outras pela piração total que às vezes o cliente não saca bem. O equilíbrio é gostoso e passa a mensagem que queremos.
Um grande problema dos webdesigners, em relação aos clientes, é construir um ótimo site em Flash, cheio de animações e interatividade, mas não ter o retorno desejado, por causa das limitações do Google na indexação de arquivos SWF. Foi isso que os motivou a promover a integração do Flash com o WordPress?
Bom, esse é o dilema eterno, né? Às vezes eu fico imaginando uma batalha espartana de flashers de um lado e desenvolvedores webstandard do outro. Não sei quem ganha. Aliás, acho besteira entrar nessa discussão, pois pra mim é óbvio que existe o projeto certo para o Flash e o projeto certo para fazer SEO. O que inspirou juntar Flash com WordPress foi criar um site completamente gerenciável, em que não dependemos da produção para administrar conteúdo. Assim, damos mais autonomia para a equipe de redação, comercial e planejamento atualizar as informações. E o SEO e a estrutura de tags foram decisivos para optarmos pelo WordPress também.
Um fator que chama a atenção nos site em Flash da Mkt é o tempo de carregamento, geralmente abaixo da média, apesar do uso de muitos recursos. Como essa questão é trabalhada na empresa?
Novamente, a palavra-chave é equilíbrio. Navegando por aí a gente se depara com desenvolvedores que assumem uma postura aristocrata, e que imaginam que os usuários têm máquinas incríveis em performance e que 800×600 é uma realidade extinta. Queria eu que fosse assim, mas não é. E o grande desafio está aí: se você abre o site da Mkt Virtual em 800×600, você consegue navegar, não vê coisas distorcidas. Numa máquina lenta ele não fica excelente, mas funciona bem. Óbvio que se você abrir em 1024×768 ou 1280×10240 e numa máquina rápida vai ser BEM melhor, mas a gente não descarta ninguém. Nunca esqueço o dia em que entrei na sala de um importante executivo de um cliente e ele estava usando 800×600. Pra mim foi um choque, questionei, e ele me explicou que 800×600 era mais “confortável” para ele, por causa da presbiopia. Tive que ficar quieta… Esse conceito da resolução vale para o carregamento também; tecnicamente a gente lima o que é desnecessário, os flashers têm carta branca pra exigir dos designers e rever o que vai impactar em peso. E eles também pensam estrategicamente no código.
A Mkt parece ter se tornado uma agência especializada em sites de “internet rica”. Vocês aprimoram a programação em ActionScript com cursos ou a equipe aprende fazendo? Como você definiria o nível técnico dos desenvolvedores AS da Mkt em relação a outras agências do Brasil e do mundo?
Categoricamente, afirmo que a gente tem muito o que aprender ainda. Mas o que eu mais valorizo na minha empresa é o empenho que a galera tem de aprender. Não acho que um curso de AS consegue ensinar todos os macetes do dia-a-dia. É muita variável, literalmente, e existem coisas que só a rotina e os projetos ensinam. Nós temos a cultura de capacitar, para que o profissional seja moldado dentro da empresa. E eu acho que os projetos que “caem” na nossa mão proporcionam esse aprendizado, num mix de trabalho, descoberta e paixão.