E tá lindo demais.

Organização é um tema mais antigo que andar para frente. Veja a água, por exemplo: uma molécula de oxigênio não se combina com três moléculas de hidrogênio, mas duas. E os peixes não surgiram antes que os aglomerados de água – doce e salgada – estivessem lá. Ou seja: organização é um tema até mais antigo que a existência dos próprios pés.

E o debate sobre como mantê-la apavora os atrapalhados, mas também ajuda muita gente a parar de procrastinar, seja com uma lista do que fazer no dia, aplicativos no celular, post-its ou até lembretes escritos na mão.

Mas nenhum método é tão atraente quanto esse:

knolling_thingsorganizedneatly

fotos por @thingsorganizedneatly
Esse colírio para os olhos se chama knolling. Esse nome é uma metonímia cunhada por Andrew Kromelow, em 1987. Andrew era zelador de uma oficina de fabricação de móveis e observava seu chefe organizar toda e qualquer ferramenta fora do lugar numa mesma superfície e em ângulos retos. A visão compacta de todos os objetos fez com que Andrew lembrasse de uma empresa de móveis norte-americana chamada “Knoll”, famosa pela fabricação de mobília angular.

Mas foram só 20 anos depois que o knolling se popularizou. E provavelmente a primeira vez que você viu #knolling (ou #flatlays, como a técnica também ficou conhecida) foi no Instagram, o lar de tudo o que é eye candy.

A precisão e o cuidado necessários para o knolling tornam a atividade quase cirúrgica, buscando uma disciplina que remete à cultura japonesa – que 40 anos antes já fazia algo parecido com knolling: o método 5S parte do mesmo princípio, e é tão eficiente para organização que era parte do Sistema de Produção da Toyota, visando a eliminação de desperdício.

E assim a organização deve – ou deveria – ser. A partir do momento em que a ordem é estabelecida, você está livre para tomar decisões ou partir para uma nova tarefa.

“Quando você não está tomando decisões, você está apenas executando sua decisão anterior.”
– Tom Sachs, escultor que trabalhou com Kromelow por 2 anos.
Sachs aproveita o ofício artístico para adotar o mesmo mantra de Kromelow: Always be knolling. De forma prática, isso quer dizer que ele procura manter um ritmo contínuo de atividade – e de organização e criatividade.

tomsachs_knolling

Cartaz na oficina de Tom Sachs
 

Hoje, o knolling está em todo lugar. E não precisa mais ser praticado apenas pelo alívio da organização de objetos: pode ser pela arte, pela terapia ou pelo desapego.

No mínimo, knolling te ajuda a fazer uma ótima faxina – na mesa ou na mente.